Perdendo a calma: as 5 coisas que mais irritam no trânsito
Pesquisa realizada em oito capitais brasileiras aponta os principais "vilões" do trânsito no Brasil. O campeão das reclamações é o longo congestionamento, que incomoda 61% dos motoristas. Dá para não reclamar?
Klinger Portella
Para quem vive nas grandes cidades brasileiras, encarar longos congestionamentos já virou rotina. Em meio ao caos dos veículos aglomerados por ruas que quase nunca estão em boas condições de tráfego, tanto motoristas quanto pedestres encarnam papel de reféns desse problema metropolitano. Como manter a calma diante de um longo congestionamento?
Uma pesquisa realizada pela Abramcet Synovate Brasil entrevistou 1.500 pessoas em oito capitais brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Curitiba - para descobrir o que mais incomoda ao brasileiro no trânsito.
Com 61% das respostas, o congestionamento foi o campeão em reclamações. Para o publicitário Maurício Pires, que todos os dias encara o trânsito de São Paulo no caminho de sua casa para o trabalho, a longa fila de veículos é um problema. Ele, que se considera um motorista estressado, também vê irregularidades na postura dos demais motoristas. "Além do trânsito em si, detesto motoboys, ônibus, taxistas e, sobretudo, guardinhas de vagas de rua", criticou.
Para o operador financeiro Francisco Paula de Lima, o problema é ainda mais grave. "O que mais me irrita no trânsito não é o aglomerado de carros e sim a incompetência da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e dos órgãos responsáveis. Eles não conseguem se antecipar e evitar que se forme algo caótico."
No segundo lugar da lista apontado pelos motoristas das grandes cidades brasileiras, aparecem os buracos nas vias, com 10% da "preferência". "Os meus amortecedores pedem socorro. Existem bairros que o asfalto está tão comprometido quanto as ruas de terra do sertão nordestino", comparou Maurício Pires.
"O estado das nossas ruas na maioria das regiões de São Paulo é desprezível. Não há manutenção adequada e sim remendos terríveis", completou o Francisco Paula de Lima.
Ainda segundo a pesquisa, os radares incomodam 3% dos motoristas de carros e 2% dos motociclistas. A principal diferença entre as duas categorias é que, para 24% dos motociclistas, as fechadas de outros veículos são um verdadeiro tormento, enquanto apenas 8% dos motoristas reclamam das fechadas nas ruas.
Para minimizar os problemas no trânsito, não faltam sugestões. Entretanto, todos reconhecem que a situação é complicada. "Eu sugiro uma reavaliação em todo o sistema de operação dos semáforos, mudando o tempo de abertura e fechamento dos cruzamentos. Também proponho uma alteração no horário de entrada de caminhões", destaca o operador financeiro.
Entretanto, Francisco Paula de Lima recomenda uma solução que extrapola a operação do trânsito. "Uma solução definitiva seria uma melhoria radical no sistema de transporte público, uma vez que muitas pessoas saem de carro porque não confiam na eficiência e no conforto do sistema de transporte", completou o operador financeiro.
Em meio aos problemas comuns no trânsito das grandes cidades brasileiras estão os motoristas, que muitas vezes ajudam a complicar a situação nas vias. "Eu acho os motoristas um pouco irresponsáveis, abusados às vezes. Tem muita gente despreparada para dirigir", reconheceu Francisco.
O publicitário Maurício Pires retratou em poucas palavras a realidade pouco feliz dos motoristas paulistanos. "Nós, motoristas de São Paulo, somos rápidos, não estamos a passeio, não temos vista para o mar e precisamos chegar em casa para dormir e voltar a trabalhar no dia seguinte", finalizou.
A pesquisa da Abramcet destacou, ainda, que para 50% dos pedestres, a falta de educação dos motoristas é o principal vilão no trânsito das grandes cidades.
Agência MBPress
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